It - A Coisa

sábado, setembro 02, 2017

A infância é uma fase da vida onde o mundo nos é apresentado e tudo acaba se tornando uma grande novidade. Curiosidade é como um "segundo nome" quando a gente é criança, mas muitas vezes acaba trazendo consigo um fator de perigo. Entretanto, o que será que acontece quando "perigo" também é um dos nomes de algumas crianças?




Em It - A Coisa, do mestre da literatura de horror/ sci-fi/ fantasia Stephen King, é narrada a história do "Grupo dos Otários"- formado por Bill, Richie, Ben, Beverly, Stan, Mike e Eddie - habitantes de uma cidadezinha do Maine, Estados Unidos, chamada Derry: que aparenta ser um lugar pacato, mas esconde grandes segredos ao abrigar uma poderosa força maligna. A história se passa no final dos anos 50, quando o "Grupo dos Otários" é formado pelos personagens ainda crianças e cerca de 27 anos depois, onde é narrado o reencontro desse grupo e as circunstâncias que os levaram a essa reunião. 

"Eu era gordo e nós éramos pobres - disse Ben Hanscom. - Me lembro disso agora (...) Tenho um medo quase louco de qualquer outra coisa que eu possa lembrar antes que a noite de hoje acabe, mas o tamanho do medo que eu sinto não importa, porque vai voltar de qualquer jeito. Está tudo aqui, como uma bolha enorme crescendo na minha mente. Mas eu vou, porque tudo que já consegui e tudo que eu tenho agora está ligado ao que fizemos naquela época, e você paga pelo que recebe neste mundo. Talvez seja por isso que Deus nos fez crianças primeiro e nos colocou mais perto do chão, porque Ele sabe que é preciso cair muito e sangrar muito para aprender essa simples lição. Você paga pelo que recebe, você é dono daquilo pelo que pagou... e mais cedo ou mais tarde, o que é seu volta para casa, para você".

Apesar do tamanho um tanto assustador (A Coisa tem mais de mil páginas), Stephen King sabe conduzir belissimamente a narrativa cheia de aventuras, um certo tom de humor e muito, muito suspense; a leitura é apaixonante, e muito fluida. Como a história se reveza entre 1957/58 e o ano de 1985, o ritmo acaba se dando de maneira ágil com capítulos divididos em pequenas partes. Além disso, nós temos os personagens centrais super cativantes e cheios de personalidade; King consegue equilibrar a atenção entre todos os sete com muita maestria. A obra é muito clara e possui um alicerce bem fundamentado, dessa foram todos os acontecimentos são compreendidos de forma que os leitores possam assimilar a razão para o que ocorre e ainda se sentir impactado com os eventos retratados. Nada ali é colocado em vão.

Um grande exemplo desse embasamento é como o autor retrata a cidade de Derry sendo um grande personagem. A partir da compreensão dos eventos históricos durante a narrativa e alguns interlúdios, Derry chega a respirar entre as páginas, de tão vívida. Sendo assim, a gente se sente ainda mais imerso na leitura, mas sem perder o foco da narrativa principal. 

"A história de uma cidade é como uma mansão velha e irregular cheia de aposentos e buracos e passagens de roupa suja e sótãos e todo tipo de pequenos esconderijos excêntricos... sem mencionar uma passagem secreta ou duas. Se você for explorar a Mansão Derry, vai encontrar todo tipo de coisas. Sim. Pode se lamentar mais tarde, mas vai encontrar, e quando uma coisa é encontrada, não se pode mais ser desencontrada, pode? Alguns aposentos estão trancados, mas há chaves... Há chaves".

Entretanto, uma certa parte lá pro final chega a ser esquisita. Muita gente na internet acredita ter sido desnecessária e eu entendo, mas vendo de um ponto de vista mais realista da obra faz todo sentido. It é um livro que tem força e acredito que o Stephen King sabe o momento certo para usa-la; toda a narrativa caminha e cresce até chegar nesse momento considerado por tantos como "polêmico". Como a história de João e Maria, basta ir juntando as migalhas até chegar na casa da bruxa. 

O que eu tirei dessa leitura é que dá sim pra levar alguns sustos apenas lendo uma história impressa num papel Pólen Soft (risos). Brincadeiras à parte, A Coisa leva você numa aventura que chega a dar um nó no coração quando termina; deixa saudades como se você também fosse um membro do Clube dos Otários. Mas além disso, é uma obra sobre infância e a perda da inocência, sobre amizade e amor. 

0 comentários

Mais Lidos

Contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

G+