As Peças Infernais - Princesa Mecânica

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Finalmente cheguei ao desfecho da trilogia As Peças Infernais. Tessa, Jem e Will se reencontram num livro que me trouxe muito aperto no coração, mas o melhor do mundo dos Shadowhunters criado por Cassandra Clare.





Se você não leu as primeiras resenhas da trilogia, aconselho você a começar por aqui. Neste último volume da série, muita coisa está em jogo: o temido Mortmain segue seu plano de destruir os Shadowhunters, o Instituto de Londres segue em uma disputa e, enquanto isso, o mistério sobre quem realmente é Tessa Gray continua. Sem deixar de mencionar o triângulo amoroso que envolve os três personagens centrais dessa trama. 

"A maioria das pessoas tem sorte se encontra um grande amor na vida. Você encontrou dois."


"Sabe aquela sensação (...), quando está lendo um livro, e percebe que vai acontecer uma tragédia? Você sente o frio e a escuridão se aproximando, vê a rede se fechando em torno das personagens que vivem e respiram nas páginas. Mas está preso à história como se fosse arrastado por uma carruagem, e não consegue largar nem mudar o percurso? (...) Agora sinto como se isso estivesse acontecendo, exceto que não são personagens em uma página, mas amigos e companheiros queridos." 


Logo nos primeiros capítulos, Cassandra Clare faz questão de retratar a ternura que existe entre Tessa, Will e Jem. O amor que existe entre os três segue forte e de maneira igual, mas agora que Jem e Tessa estreitaram ainda mais seus laços é impossível deixar de notar um pouco de tensão que ali existe. A doçura também se faz presente entre os integrantes do Instituto de Londres; os personagens secundários ganham uma profundidade ainda maior que nos livros anteriores e a relação entre eles evidencia uma grande amizade, mesmo em meio a alguns conflitos.

Por falar em conflitos, Princesa Mecânica é recheado de cenas de ação que não envolvem apenas lutas, mas também diálogos afiados e diretos que tornam a leitura fluida e bastante ágil. Outro ponto interessante é que o livro é completamente feito de cenas intercaladas, o que não deixa o andamento da história cansativo e colabora com o desenvolvimento dos personagens.

Sobre o universo dos Caçadores de Sombra/ Shadowhunters, a autora resolve ir mais a fundo e apresentar coisas novas. É muito interessante ver que, mesmo em um universo já conhecido, é possível aprender e compreender muito mais. E para eu que já li a maioria dos livros da série Os Instrumentos Mortais, acabei notando a origem de alguns elementos que são corriqueiros nos livros que se passam no Séc. XXI mas que fizeram bastante diferença nessa trilogia. 

Cassandra Clare também não deixou escapar as questões de gênero, algo de extrema importância naquela época e que se reflete nos dias atuais. Pelo fato da história se passar num tempo anterior ao nosso, mostra como algumas ideias são antiquadas e absurdas. Acredito que o desenvolvimento desse arco em toda trilogia se deu de forma positiva, mostrando que essa leitura não se resume a uma simples fuga da realidade, mas levanta questões que precisam ser discutidas. 

O desfecho da história trouxe alguns elementos que me deixaram um pouco frustrado durante a leitura, o conflito entre Mortmain acabou sendo bem raso - para ser sincero eu imaginei esta solução desde o primeiro livro, porém acabou sendo uma surpresa devido a forma que tudo se deu. Mesmo acertando em alguns aspectos, eu acabei me impressionando. Já a relação entre os personagens centrais sofre uma reviravolta surpreendente e que nos acompanha até seu epílogo. Foi aí que eu me senti totalmente satisfeito com a leitura. 

Todas as ações do livro foram essenciais para o seu merecido desfecho. Princesa Mecânica termina sem nenhuma ponta solta e As Peças Infernais conclui sua história com personagens cativantes e bem desenvolvidos, mostrando ser uma trilogia que se trata muito mais de pessoas tridimensionais do que meras peças num jogo de aventura e caça às sombras.
Se você já leu esse livro não esquece de comentar o que achou. Vamos conversar.
Obrigado você que leu até aqui. Até breve!


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