Tua

quarta-feira, julho 01, 2015

Eu tenho um amor incondicional por suspense, mas nunca li uma obra argentina. Foi assim que minha curiosidade aumentou quando descobri Tua, da escritora Claudia Piñeiro.





Misturando elementos típicos de um romance policial com um suspense muito bem construído, Tua conta a história de Inés: uma dona de casa que vive com seu marido Ernesto e sua filha Laura (Lali, para os íntimos). 

Inés dedica seu tempo a cuidar da família e tentar melhorar a relação que possui com seu marido. Certo dia, enquanto ela procurava uma caneta na maleta de Ernesto, acaba encontrando um bilhete escrito de batom e assinado por alguém chamado Tua. Disposta a saber quem é esta pessoa, Inés resolve seguir seu esposo em uma de suas reuniões de emergência (logo ela percebe que essas reuniões não tem nada a ver com o trabalho) e acaba descobrindo que "Tua" é a secretária de Ernesto. Mas acontece que, neste mesmo encontro, um acidente acabou acontecendo entre Ernesto e "Tua". Por viver em um universo de aparências, tentando salvar seu casamento, Inés resolve ajudar o marido; mas ele não pode saber que a esposa estava no mesmo local e mesmo horário que o acidente aconteceu.

Tua é um livro que te prende logo no início. A autora consegue ir direto ao ponto e o suspense nos capítulos faz com que você queria terminar as 140 páginas em um único dia. Além disso, grande parte da obra é narrada por Inés, o que deixa a história mais profunda por apresentar certas memórias e observações pessoais da personagem. São tiradas ácidas e planos que te fazem questionar se no final vai acabar dando tudo certo para o lado dela. Mas o melhor de tudo é não saber o que pode acontecer no capítulo seguinte, se deixar levar por Inés.


"Às vezes perdemos o rumo e somos capazes de pensar qualquer coisa. Ou fazer."

Apesar de ser um suspense rápido, o livro também levanta questões sobre as relações que existem dentro de uma família e até que ponto o "casamento perfeito" é algo real. Aos poucos a autora vai quebrando paradigmas e, quando você percebe, está recebendo mais um balde de água fria da história. Além disso, existe uma subtrama que retrata o que está se passando no universo da Lali - filha do casal - em forma de diálogos. Sobre esta parte, achei que faltou mais profundidade ao assunto, mas talvez fosse essa a intenção da autora, visto que Inés estava tão preocupada em salvar o casamento que não se deu conta do que estava acontecendo com sua filha. Para descobrir mais vocês terão que ler =D.

Não imaginava as reviravoltas que o livro trouxe, para mim foram muitas porque quando eu pensava "não, ela/ele nunca ia fazer isso" ela/ele ia lá e fazia (o único jeito que consegui expressar o que sentia durante a leitura foi desta fora, risos). O desfecho também me pegou de surpresa, era o que eu esperava, mas nenhum indício no decorrer da obra apontava para que "aquilo" acontecesse "daquele" jeito. Amo quando as histórias são assim. A edição está muito caprichada; simples e bonita, as folhas são de uma gramatura bem mais resistente que as dos livros que estou acostumado a ler e a capa acaba fazendo todo sentido depois que a leitura é concluída.

Super-recomendo que vocês leiam Tua, pela agilidade da trama, os personagens profundos e um suspense totalmente cativante. Com certeza irei procurar mais obras argentinas (especialmente da Claudia Piñeiro) quando estiver na livraria!





Já conheciam essa obra? Não deixem de comentar o que acharam do post! E se quiserem me indicar mais livros de escritores da América do Sul fiquem à vontade.
Obrigado pela leitura e até mais.

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