Escuridão-caramelo

domingo, junho 21, 2015

Ele toma um copo d'água antes de colocar Coca-Cola dentro de outro copo e subir para assistir mais um episódio daquela série. Às vezes ele se preocupa com o estômago, com a quantidade de coisas que coloca dentro dele. Uma vez, no ensino médio, fez uma prova de química em que uma das alternativas dizia que o refrigerante e o café eram as bebidas que mais prejudicavam nosso organismo. Ele não marcou essa alternativa, que por sinal era a certa. Talvez como uma forma de protesto: não pode ser isso, eu ouvi dizer que o café faz bem! 
Não tantas vezes ao dia. Não depois de três copos de Coca-Cola. 
Ele pensa em diminuir a quantidade, mas vive dizendo que o café é como uma abraço que vem de dentro pra fora; amargo feito a vida, alguns dias com leite, alguns dias puro, mas ele sempre está lá. 
A Coca-Cola seria uma poção de alegria; bebida gaseificada cheia de açúcar e cola, que grudou na sua alma e nunca vai deixar de ser tão boa. Gelada sempre, não importa se é servida numa latinha, num copo descartável, numa garrafa pet ou de vidro, o que importa é o conteúdo. 
Ele pode trocar as marcas de café, pode ser que na lanchonete em que esteja só sirvam Pepsi. Pode ser. Se um dia essas duas bebidas acabarem, o que vai ser dele? Talvez busque consolo nos chás, não importando se é chá gelado ou chá "normal". Quem sabe um dia este seja seu novo vício. Talvez. Mas ele sempre vai voltar pra escuridão-caramelo e acolhedora do café e do refrigerante de cola, mesmo sendo este o seu mal. Talvez, quando ficar mais velho, ele seja mal por dentro, de tanto café e Coca-Cola que tomou durante a vida. 
Melhor clarear um pouco as coisas. 
Põe mais leite nesse café. 




Obrigado pela leitura, até mais.


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